ECONOMIA

Nubank vai falir? Entenda por que o caso difere do Will Bank

Rumores cresceram após liquidação do amarelinho, mas analistas apontam solidez
Por Redação 23/01/2026 - 18:06
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Marcello Camargo/Agência Brasil
  Transparência e liquidez do Nubank
Transparência e liquidez do Nubank

Em meio à crise que levou à liquidação extrajudicial do Will Bank, rumores nas redes sociais passaram a questionar a solidez de outros bancos digitais, sobretudo o Nubank, que reúne mais de 112 milhões de clientes. Especialistas ouvidos pela IstoÉ Dinheiro afirmam, no entanto, que os casos são distintos e não comparáveis.

Em nota publicada em seu site, o Nubank declarou que “a notícia de que o Nubank estaria falindo é falsa” e ressaltou ser “a maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes”, além de registrar baixo índice de reclamações.

Segundo o advogado Rafael Mortari, sócio do Mortari Bolico Advogados, a diferença começa pela estrutura societária. “Os dois casos são incomparáveis”, afirma. Ao contrário do Will, o Nubank não integra uma holding em crise. “O Nubank é o topo e o negócio principal da sua estrutura”, disse.

O que aconteceu com o Will Bank

O Will integrava a holding Master, envolvida em investigação da Polícia Federal por suspeitas de gestão fraudulenta. Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, apontando “grave crise de liquidez”. Na ocasião, o Will passou a operar sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET).

De acordo com Mortari, o Banco Central buscava um comprador para o Will até que a instituição ficasse inadimplente com a Mastercard, em segunda-feira, 19, perdendo a operação de cartões. Sem interessados e sem operação ativa, o BC seguiu o rito para proteger os credores.

Transparência e liquidez do Nubank

Além de não depender de conglomerados, o Nubank é uma empresa de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de Nova York, o que exige padrões rigorosos de transparência e governança. No terceiro trimestre de 2025, o balanço reportou receita de US$ 4,2 bilhões e lucro líquido de US$ 783 milhões.

“O Nubank mantém um colchão de liquidez acima do exigido pelo Banco Central, o que garante capital próprio suficiente para absorver perdas”, acrescenta Mortari. Para o especialista André Franco, CEO da Boost Research, a estrutura do banco é “muito mais saudável” e incompatível com o cenário vivido pelo Will.

No fim do ano passado, o Nubank anunciou que pretende solicitar ao Banco Central licença para operar formalmente como banco, deixando a classificação de fintech, o que implicará exigências ainda maiores de segurança.

Outras fintechs

Especialistas alertam que não há uma lista definitiva de instituições seguras ou arriscadas. O economista Fábio Murad, CEO da Super-ETF Educação, destaca que fintechs menores enfrentam desafios maiores, sobretudo quando operam com crédito de alto risco, pouca diversificação de receitas ou dependência excessiva de capital de curto prazo.

Para investimentos, juros muito acima do mercado devem servir de alerta. “Juros excessivos costumam ser um prêmio de risco”, afirma Mortari. A recomendação é buscar informações consistentes e acompanhar sinais como crescimento acelerado sem transparência, conclui o advogado Luis Castelo.

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